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Abril Azul: Prevenção ao câncer de esôfago do ponto de vista nutricional

O mês de abril traz uma pauta importante de conscientização, a cor azul claro, vem com um alerta de um inimigo silencioso, o câncer de esôfago. No Brasil, o câncer que acomete a região do esôfago (tubo que liga a garganta ao estômago) é o 6º mais frequente entre os homens e o 15º entre as mulheres segundo dados do instituto nacional de câncer (INCA) em 2021.

E quando falamos nas causas de um crescimento tumoral, hoje a ciência demonstra que é algo multifatorial, estamos expostos a fatores genéticos, estresse, poluição, micro-organismos, alterações metabólicas como obesidade e outras doenças que podem comprometer o sistema imunológico, dentre esses fatores temos também a alimentação.

O esôfago faz parte do nosso sistema digestório, logo, a alimentação pode ser aliada na prevenção e como nutricionista, hoje vou comentar como usar a alimentação de maneira menos nociva se você já possui pré-disposição ou até mesmo se acredita que é importante ter um olhar mais saudável para seus alimentos.

O principal fator de risco deste e de todos os outros tipos de câncer é o cigarro, além de conter substâncias nocivas, o uso excessivo provoca o remodelamento de tecidos, impacta na alimentação em relação ao consumo de alimentos, devido a alteração de paladar que pode gerar maior consumo de açúcares, gorduras e sal que são usados com maior frequência para melhorar o sabor das preparações, à medida que a perda da sensibilidade de regiões da língua influenciam na percepção desses sabores.

ÁLCOOL

O consumo de álcool regularmente ou até mesmo o consumo de bebidas alcoólicas de maneira social ou irregular não possui doses seguras, existe uma necessidade do nosso corpo em realizar a metabolização rápida desta substância para manter a normalidade do funcionamento de nosso organismo e isso interfere em vários sistemas, cada 1 ml de álcool possui em média 7,1 kcal o que aumenta o valor energético total de uma bebida associada por exemplo energéticos ou refrigerantes, isso impacta também no desenvolvimento da obesidade que também está relacionada como fator de risco.

OBESIDADE

            A obesidade é o excesso de gordura corporal de um indivíduo que exerce prejuízo em seu estado de saúde, o aumento do tecido adiposo diminui a taxa de gasto energético basal e provoca aumento dos órgãos de sistemas envoltos por essa camada de proteção como por exemplo o trato gastrointestinal, aumentando o volume do estômago e esôfago conforme maior o consumo alimentar, isso pode desencadear a doença do refluxo gastroesofágico, sendo importante realizar uma boa hidratação diária, reduzir o consumo de açúcares, gorduras saturadas (presente em carnes e produtos de origem animal, no óleo de coco e de palma), consumo equilibrado de frutas, verduras e legumes que são ricas em vitaminas, minerais e fibras, boas fontes de energia, carboidratos integrais ou com baixo processamento e menor índice glicêmico,  além do fracionamento das refeições para evitar exageros.

DEFICIÊNCIA DE FERRO

A deficiência de ferro pode impactar tanto na prevenção, em casos de Síndrome de Plummer-Vinson como em anemias já quando a doença está avançada, o ferro é um nutriente encontrado em produtos animais como carnes, ovos e principalmente nas vísceras como o fígado, há uma ressalva, é preciso verificar a causa da anemia junto com o seu médico, pois existem casos em que a correção da anemia necessita de suplementação endovenosa ou intervenção em casos de hemorragia, as necessidades diárias de ferro podem ser atingidas também com alimentos de origem vegetal como folhas verde escuro (Espinafre, brócolis) feijões, associando o consumo de alimentos fonte de vitamina C como (laranja, limão, mamão) que provocam maior absorção e evitando o consumo de alimentos fonte de cálcio como leite e derivados por exemplo, que competem a biodisponibilidade de nutriente.

TEMPERATURA DE ALIMENTOS

            O consumo de alimentos extremamente quentes em temperaturas acima de 65°C podem gerar lesões a longo prazo e contribuir para desenvolvimento do câncer de esôfago, é importante que alimentação seja prazerosa, evitando desconforto com bebidas muito quentes como cafés, chás, achocolatados, o ideal é o consumo em temperatura morna. Sobre o preparo das refeições, os alimentos cozidos devem atingir temperaturas de segurança, evitando carnes mal passadas ou ovos crus, vegetais, frutas e alimentos que não sofrem tratamento térmico devem ser higienizados com hipoclorito ou água sanitária, a higienização correta é detalhada por cada fabricante, verifique na embalagem, os hortifrútis devem ser higienizados para evitar a contaminação por micro-organismos, e a alimentação fora de casa deve ser realizada em local limpo e com boas práticas de manipulação de alimentos.

Escrito por: Nutricionista Karina Fernanda Genier Murari Fernandes

Especializada em nutrição clínica e nutrição em saúde cardiovascular pelo Instituto de cardiologia Dante Pazzanese CRN3 55310

Coordenadora de Nutrição Instituto Brasil Mais Social

Referência: INCA

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