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PRECISAMOS FALAR SOBRE SAÚDE MENTAL

“Precisamos falar sobre saúde mental especialmente a saúde mental das pessoas, das sociedades e de toda a humanidade” – esse é o mote da Campanha Janeiro Branco

Janeiro Branco é um movimento mundial pela construção de uma cultura da saúde mental da humanidade. O objetivo é mobilizar a sociedade em torno da saúde mental e emocional, com ações preventivas e campanhas educativas e de conscientização.

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, 11,5 milhões de brasileiros sofrem de depressão, o equivalente a 5,8% da população. Os transtornos mentais acometem 22 milhões de brasileiros, 12% da população, e, ainda, quase 19 milhões de pessoas possuem algum tipo de transtorno de ansiedade, ou seja, quase 9,3% da população brasileira.

Anualmente, 800 mil casos de suicídio são registrados no mundo, geralmente decorrentes de casos graves de depressão não diagnosticada ou tratada. As mulheres são mais suscetíveis à depressão, que também é um tipo de transtorno mental.

Especialistas explicam que viver o presente é muito importante para evitar a ansiedade.  Um dos agravantes da depressão pode ser o apego a situações do passado ou viver com ansiedade e medo diante do futuro.

OPAS faz estudo que avalia o efeito devastador da pandemia na saúde mental  

Publicação da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) destaca o efeito devastador da pandemia de COVID-19 sobre a saúde mental e o bem-estar das populações das Américas, bem como o impacto da interrupção de serviços em toda a região.

O documento “Strengthening mental health responses to COVID-19 in the Americas: A health policy analysis and recommendations”, publicado recentemente na revista The Lancet Regional Health – Américas, examina estudos e dados de países da região em um esforço para compreender melhor o impacto da pandemia na saúde mental da população.

Os dados analisados ​​mostram que mais de quatro em cada 10 brasileiros tiveram problemas de ansiedade; os sintomas de depressão aumentaram cinco vezes no Peru; e a proporção de canadenses que relataram altos níveis de ansiedade quadruplicou como resultado da pandemia.

“A mensagem é clara: temos operado em modo de crise desde o início da pandemia”, afirmou Anselm Hennis, diretor de Doenças Não Transmissíveis e Saúde Mental da OPAS. “Além de controlar o medo de adoecer e o trauma de perder entes queridos com o novo coronavírus, o povo das Américas tem sofrido com o desemprego, a pobreza e a insegurança alimentar, e o impacto adverso sobre a saúde mental foi generalizado”, enfatizou.

O documento também indica um aumento acentuado nos incidentes de violência doméstica durante a pandemia, citando estudos nacionais baseados em registros de linhas diretas, relatórios policiais e dados de prestadores de serviços, compondo taxas já altas de violência na região – três vezes a média mundial.

Analisa as consequências para a saúde mental das pessoas que sofreram com o novo coronavírus. “Os dados existentes sugerem que um terço das pessoas que sofreram com COVID-19 foram diagnosticadas com transtorno neurológico ou mental”, disse a principal autora do artigo da OPAS, Amy Tausch. “Esperamos que o aumento da carga de saúde mental seja um dos efeitos mais importantes da COVID-19 a longo prazo”, previu.

Em um momento em que cuidados e tratamento são mais necessários, a publicação aponta para interrupções contínuas em serviços essenciais para transtornos mentais, neurológicos e por uso de substâncias em mais da metade dos países da região.

“A falta de acesso a serviços de aconselhamento, a redução da disponibilidade de atendimento presencial e o fechamento de escolas têm limitado as formas pelas quais as pessoas podem receber suporte de saúde mental, deixando-as muitos isoladas, vulneráveis ​​e em maior risco, declarou Renato Oliveira, chefe da Unidade de Saúde Mental e Uso de Substâncias da OPAS.

O material também documenta o impacto da COVID-19 na saúde mental de populações vulneráveis, como jovens, mulheres, pessoas com transtornos mentais pré-existentes, bem como trabalhadores da saúde e da linha de frente e pessoas com menor status socioeconômico, e observa que estes foram mais gravemente afetados por interrupções nos serviços de saúde mental.

OPAS pede ação imediata dos governos

A OPAS pede uma ação imediata para fortalecer os sistemas e serviços de saúde mental na América, com atenção especial à integração do apoio psicossocial em setores e ambientes como a atenção primária à saúde, educação, serviços sociais e sistemas. Para mitigar o impacto da pandemia, os autores do estudo enfatizam que a saúde mental deve ser incorporada aos planos de preparação, resposta e recuperação para emergências.

Antes da pandemia, estimava-se que os transtornos mentais custariam à economia global US$ 16 trilhões em 2030 se não fossem devidamente tratados. Investimentos adicionais são necessários com urgência e, à medida que os países aumentam os investimentos em serviços de saúde mental, os autores insistem que os grupos em situações vulneráveis devem ter maior prioridade.

“A saúde mental há muito tempo é uma área negligenciada da saúde pública nas Américas. Os governos devem aproveitar a pandemia de COVID-19 como uma oportunidade para reforçar seus serviços de saúde mental e fazer os investimentos necessários para reconstruir cada vez melhor. De maneira mais justa”, enfatizou o especialista da OPAS.

Como a pandemia afeta a saúde mental

O distanciamento social alterou os padrões de comportamento da sociedade, com o fechamento de escolas, a mudança dos métodos e da logística de trabalho e de diversão, minando o contato próximo entre as pessoas, algo tão importante para a saúde mental.

O convívio prolongado dentro de casa aumentou o risco de desajustes na dinâmica familiar. Somam-se as reduções de renda e o desemprego, que pioram ainda mais a tensão sobre as famílias. E, ainda, as mortes de entes queridos em um curto espaço de tempo, juntamente à dificuldade para realizar os rituais de despedida, dificultando a experiência de luto e impedindo a adequada ressignificação das perdas, aumentando o estresse.

Reações ao medo da pandemia

  • Medo de ficar doente e morrer;
  • Evitar procurar um serviço de saúde por receio de se contaminar;
  • Preocupação com a obtenção de alimentos, remédios ou suprimentos pessoais;
  • Medo de perder a fonte de renda, por não poder trabalhar, ou ser demitido;
  • Alterações do sono, da concentração nas tarefas diárias, ou aparecimento de pensamentos intrusivos;
  • Sentimentos de desesperança, tédio, solidão e depressão devido ao isolamento;
  • Raiva, frustração ou irritabilidade pela perda de autonomia e liberdade pessoal;
  • Medo de ser socialmente excluído ou estigmatizado por ter ficado doente;
  • Sentir-se impotente em proteger as pessoas próximas, ou medo de ser separado de familiares por motivo de quarentena/isolamento;
  • Preocupação com a possibilidade de o indivíduo ou de membros de sua família contraírem a covid-19 ou a transmitirem a outros;
  • Receio pelas crianças em casa não receberem cuidados adequados em caso de necessidade de isolamento;
  • Risco de deterioração de doenças clínicas e de transtornos mentais prévios ou, ainda, do desencadeamento de transtornos mentais;
  • Risco de adoecimento de profissionais de saúde sem ter substituição adequada;
  • Medo, ansiedade ou outras reações de estresse ligadas a notícias falsas, alarmistas ou sensacionalistas, e mesmo ao grande volume de informações circulando.

Dicas para ajudar a aumentar o bem-estar

  • Planeje uma rotina mesmo que fique dentro de casa: mantenha horários regulares para se levantar e se deitar; mantenha os cuidados usuais e rotinas de alimentação;
  • Se estiver em trabalho remoto, faça pausas e se movimente durante o período de trabalho;
  • Identifique pensamentos intrusivos, repetitivos e catastróficos que levem à ansiedade;
  • Descubra o que funciona para seu alívio;
  • Evite ler ou ouvir demais sobre o tema, busque se informar sobre outros assuntos e evite notícias sensacionalistas ou que tragam ansiedade;
  • Use as informações para planejar ações práticas;
  • Questione e verifique todas as notícias que receber e não repasse o que não for oficialmente confirmado;
  • Não discrimine alguém que esteja doente. Ajude-o com orientações para a prevenção da transmissão a outras pessoas;
  • Não procure países ou etnias responsáveis pela pandemia. Discriminar pessoas por sua nacionalidade é xenofobia e produz sofrimento psíquico;
  • Proteja suas crianças, sem fomentar nelas o medo ou o pânico. Ensine de forma lúdica e simples como elas podem se proteger;
  • Proteja seus idosos, informando-os sobre os cuidados necessários diante da pandemia. Acolha os medos e auxilie com as dúvidas que possam surgir;
  • Foque em comportamentos preventivos que estão sob seu controle: lavar as mãos, manter distanciamento social e usar máscara;
  • Mantenha o uso das suas medicações regulares, verifique se vai precisar de nova receita ou compra e, se preciso, entre em contato com seu médico. Não deixe de se cuidar;
  • Verifique onde pode conseguir auxílio para questões práticas, como atendimento médico, serviços de transporte, entrega de alimentos ou outras compras; acione seus contatos se precisar de ajuda;
  • Evite o uso de álcool e outras drogas;
  • Faça atividades relaxantes como meditar, escutar música, assistir filmes, ler livros, fazer cursos online;
  • Cultive os laços afetivos: aproveite a convivência familiar; mantenha contato com amigos por mensagens, ligações ou vídeos. Telefone para alguém com quem não conversa há muito tempo;
  • Busque formas de ajudar a sua comunidade, incluindo familiares, vizinhos, ongs. A solidariedade e a cooperação auxiliam os dois lados e aumentam a satisfação e os vínculos sociais;
  • Encontre oportunidades para conhecer e divulgar histórias positivas e imagens de pessoas que se recuperaram da doença e queiram dividir sua experiência;
  • Aceite o momento presente, mas lembre-se de que vai passar;
  • Se estiver em sofrimento intenso, busque ajuda profissional de psicólogos e psiquiatras: há profissionais e serviços disponíveis mesmo à distância.

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