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Medicina Integrativa: entrevista com o Dr. Davi Liu.

Entrevista sobre Medicina Integrativa com o Dr. Davi Liu.

No dia 23 de janeiro, celebra-se o Dia Internacional da Medicina Integrativa. A data é fundamental para dar visibilidade à essa prática, bem como para reforçar a importância dela. A Medicina Integrativa busca colocar as necessidades do paciente como prioridade e, ao decretarmos um dia em prol de sua comemoração, aumentamos as chances da expansão desse método na área de saúde. Além disso, a data é uma maneira de homenagear os profissionais dedicados à prática da medicina integrativa que, com ela, levam conforto e bem-estar aos seus pacientes.

Dr. Davi Liu.

Pensando nisso, entrevistamos o Dr. Davi Jing Jue Liu para trazer mais informações dessa área médica tão importante. Dr. Davi Liu é formado em Medicina pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), pela qual fez também sua residência em uma Clínica Médica e cursa sua especialização em Cancerologia Clínica. Além disso, dentre outras funções que exerce, Dr. Davi Liu faz parte do Corpo Clínico do Hospital São Paulo, é presidente da Associação dos Médicos Residentes da Escola Paulista de Medicina (UNIFESP) e, ainda, é o atual Diretor Financeiro da Associação dos Médicos Residentes do Estado de São Paulo (AMERESP).

Medicina Integrativa.

Primeiramente, o que é a Medicina Integrativa?

Dr. Davi Liu: Existem várias definições que tentam explicar com poucas palavras a Medicina Integrativa. A que eu mais tenho carinho é a definição da dra Lesley Rees: A medicina integrada, ou medicina integrativa, é a prática da medicina de modo a incorporar seletivamente elementos da medicina alternativa e medicina complementar dentro de um escopo abrangente dos métodos ortodoxos e sólidos de diagnóstico e tratamento. Enxerga o paciente como um todo entre mente e espírito e foca mais na saúde e no bem estar do que na doença e terapia.

Quais são os principais motivos para que o paciente procure a medicina integrativa?

Dr. Davi Liu: Hoje devemos reconhecer que existem problemas e desafios a serem superados na medicina. Um deles é a necessidade de perceber o paciente como um todo na prática médica do dia a dia. Ele não é só uma doença, um diagnóstico, um número ou um horário na agenda. É um ser humano completo. O paciente sai sentindo que está faltando algo, que não está completo e é muitas vezes a partir desta percepção de frustração que a iniciativa sai do próprio paciente. No mundo ideal a integralidade do cuidado deve fazer parte do tratamento convencional e não há medicina integrativa sem a união conjunta e o diálogo.

O paciente deve falar com o seu médico antes de utilizar qualquer prática da medicina integrativa?

Dr. Davi Liu: Por definição, a medicina integrativa é a junção dos cuidados,a união deles. Senão seria medicina fracionada ou desintegrativa não é mesmo? Brincadeiras à parte, a coordenação, a transparência e a verdade são elementos importantes no sucesso da prática integrativa. Não só o paciente deve falar com seu médico assim como é apropriado todos os profissionais envolvidos na assistência de sua saúde se comunicarem.

Afinal, como a medicina integrativa pode colaborar com a medicina convencional?

Dr. Davi Liu: A medicina convencional é imperfeita e em constante evolução. Quando digo isso muita gente tende a interpretar como algo ruim, mas é nesse processo evolutivo em que conseguimos nos aproximar da verdade de nossa saúde de forma segura, em evidências sólidas. Muito do que sabemos hoje na ciência vem do conhecimento antigo e que foi possível através da metodologia científica reproduzir e converter-se no tratamento convencional. 

Apesar da Medicina Integrativa não ser um conceito novo, por que demorou para se difundir no Brasil?

Dr. Davi Liu: O Brasil é um dos países com maior riqueza em biodiversidade. Nós temos um grande potencial de conhecimento científico no uso e aplicação medicinal de produtos derivados de nossa fauna e flora. Os índios nativos já usavam desde antes da ocupação elementos da natureza que hoje conseguimos por meio da biologia compreender os benefícios, sejam por atividades antioxidantes, antibióticas, anti neoplásicas. Reconhecer que a medicina não sabe de tudo é um grande primeiro passo.

E como está a evolução da Medicina Integrativa nos hospitais brasileiros?

Dr. Davi Liu: Hoje existem setores de medicina integrativa em muitos hospitais com profissionais médicos e multiprofissionais. Ainda é um campo em crescimento e que muitas vezes o próprio serviço não tem a total compreensão de quando ser chamado ou solicitado, mas é um início de um processo em construção.

Sabemos que a realidade do SUS não é fácil: existem problemas com a distribuição de médicos, com a falta de leitos e com a longa fila de espera. Para que a Medicina Integrativa chegue aos hospitais públicos do país, como podemos contornar esses problemas?

Dr. Davi Liu: O programa de saúde da família no Brasil é um grande modelo de medicina integrativa em seu projeto. Ter um médico que conheça o seu estilo de vida, a sua família, os seus hábitos e através de medidas de bem-estar, saúde e comportamento, ser capaz de promover saúde, evitar doenças e reduzir a necessidade de medicação. Isso ajuda a desafogar hospitais e leitos de internação. Esse cuidado e zelo ajuda a diminuir procuras no pronto-atendimento. Aplicar a medicina integrativa é ver o paciente em todas as suas dimensões de vida e manter a sua saúde através deste olhar.

A Medicina Integrativa reúne profissionais com diversas especialidades que atuam além do problema, na mente e no espírito do paciente. Como o tratamento da pessoa como um todo pode ajudar no sucesso do tratamento?

Dr. Davi Liu: Muitas vezes o paciente vem com um conceito de que adotar medicina integrativa no consultório se resume a aplicar agulhas de acupuntura ou receitar chás. Isso pode fazer parte também, mas é muito mais do que isso.

Se baseia em conhecer as técnicas de tratamento e adequar aquilo que faz mais sentido para a vida do doente. Se baseia em união e cooperação.

A gente brinca que sozinho a gente pode ir rápido, mas não vai longe. Juntos podemos ir mais devagar e muitas vezes não do jeito como a gente quer, mas vamos de forma unida em amor para onde for. O sucesso então do tratamento não é a simples ausência da doença, não é só evitar a morte. O sucesso do tratamento é a vida em sua qualidade e sua plenitude em todas as suas dimensões. Nesse sentido a Medicina Integral é o caminho desta jornada.

Quando a pessoa é diagnosticada com um câncer, a doença gera muitas incertezas e o tratamento é muito agressivo. Assim, para muitas pessoas lidar com a doença é difícil. Muitos altos e baixos durante o tratamento. Como o tratamento humanizado e a Medicina Integrativa podem ajudar?

Dr. Davi Liu: A jornada de um paciente com câncer rumo ao tratamento não é tão simples. O processo de tratamento envolve consultas, exames, procedimentos e terapias. A rotina do paciente muda radicalmente e ele como protagonista de sua saúde precisa se adaptar a uma realidade não esperada. É necessário muito suporte sob o aspecto familiar, social, profissional e até na navegação de suas rotinas de saúde. Além do paciente ter que lidar com o sofrimento físico de efeitos colaterais dos tratamentos e terapias, a incerteza do futuro traz um fantasma constante em seus pensamentos e sua saúde mental. Ninguém vem preparado para isso.

Mas com amor, verdade, conversa e união, a jornada pode ser menos penosa.

Os profissionais de saúde precisam compreender que somos uma alma cuidando de outra alma, e essa outra alma é um ser humano completo e complexo que deve ser respeitado em todas suas esferas de vida.

Qual o conselho que você dá para quem está à procura da Medicina Integrativa, principalmente no tratamento oncológico?

Dr. Davi Liu: A nossa vida é feita de muitas escolhas o tempo todo. No tratamento contra o câncer isso não é diferente. Cuidado com sensacionalismo, cuidado com redes sociais. Cuidado com curas milagrosas e respostas simples para problemas complexos. Saiba diferenciar o que faz sentido pra sua vida e o que é feito em busca de “likes” na internet. Durante o tratamento oncológico, o seu médico será o principal coordenador desta jornada cheia de escolhas técnicas e complexas com desfechos incertos. É muito importante ter confiança e vínculo com este profissional. Sinta-se confortável e aberto para discutir tudo sem ter vergonha, afinal de contas ninguém nasce sabendo e não há constrangimento em perguntar. Converse com profissionais e procure ter uma visão do todo. É uma relação de amor e verdade que deve ser construída e buscada.

Driblando o Câncer.

O Projeto Driblando o Câncer do Instituto Brasil + Social, nasceu para promover inúmeras ações preventivas contra o câncer para chamar a atenção da população para cada tipo da doença.

Acesse institutobrasilsocial.org.br e saiba como ajudar.

Escrito por Gabriela Burcius Arguelles Horrio.

Revisado por Jéssica Duarte Coutinho.

Publicado por Gabriela Burcius Arguelles Horrio.

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