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Os Impactos da Pandemia na Educação Brasileira.

Os Impactos da Pandemia na Educação Brasileira.

Em março de 2020, a Organização Mundial da Saúde declarou o estado de pandemia para a contaminação do Novo Coronavírus, também conhecido como COVID -19 (SARS – CoV – 02). Afinal, essa doença é uma infecção respiratória aguda com alta transmissão de contágio. 

Qual é o conceito de pandemia?

A pandemia é um surto de uma nova doença que se inicia em uma determinada região e se espalha para diversas regiões de pessoa para pessoa, de forma rápida e sustentada.

Para diminuir essa taxa de transmissão, os países adotou medidas como o lockdown, isolamento social e algumas fases restritivas. Assim como no Brasil, onde coube aos estados e municípios decidirem quais dessas medidas adotarem para diminuírem o contágio.

Com a adoção dessas medidas, eventos presenciais não podiam acontecer. Dessa forma, muitas empresas adotaram o home office para evitar aglomerações e para que menos pessoas circulassem nas ruas. Além disso, serviços não essenciais atendiam de forma online ou delivery. Sem dúvida, foram muitas mudanças em pouco tempo. 

Nesse texto, vamos apresentar os impactos da pandemia do COVID -19  na educação brasileira. Para entendermos melhor esse assunto, o post abordará 3 temas principais:

  • A educação brasileira antes da pandemia;
  • O ensino remoto durante a pandemia;
  • Os impactos da pandemia na educação brasileira.

A Educação Brasileira Durante a Pandemia.

Durante a pandemia, uma das mudanças foi a adoção das escolas pelo ensino remoto, ou seja, onde as crianças e adolescentes assistiam as aulas de suas casas ao invés de irem para as escolas.

Mas será que as escolas estavam preparadas para o ensino remoto? Todos os alunos tinham acesso à internet? Ou houve perda no aprendizado?

A Educação Brasileira Antes da Pandemia.

A cada 3 anos, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, a OCDE, realiza uma avaliação, o Programa Internacional de Avaliação dos Estudantes (PISA)

A última edição realizada foi em 2018, com cerca de 79  países. O objetivo é avaliar o nível de aprendizado em leitura, ciências e matemática

Participam dessa avaliação, estudantes de 15 anos. No Brasil, em um único dia 10.691 alunos de 638 escolas participaram da prova em 2018.

Os resultados do Brasil nas avaliações do PISA e do IDEB

Os resultados apontaram que a educação de qualidade para todos é uma realidade um pouco distante. As notas do Brasil foram:

Leitura: 413 pontos; Posição no ranking: 55º e 59º

Matemática: 384 pontos, Posição no ranking: 69º e 72º

Ciências: 404 pontos; Posição no ranking 64º e 69º

A escala de notas é de 0 a 600 pontos e o mínimo considerado pela (OCDE) é de 150 pontos.

O Brasil não ia bem nas avaliações internacionais. E os resultados das avaliações nacionais não são animadores.

De acordo com avaliação do Ideb ( Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) de 2019, a média geral de avaliação da educação básica era de 5,9 pontos, numa escala de 0 a 10. Participaram dessa avaliação 15 milhões de alunos e 109 mil escolas.

Ainda segundo essa avaliação, nos anos finais do Ensino Fundamental, a nota dos alunos avaliados foi de 4,9 pontos, onde participaram cerca de 4,9 milhões de alunos. 

Já no Ensino Médio, a nota foi de 4,2 pontos. Participaram 7,5 milhões de alunos e contou com 28,8 mil escolas brasileiras.

Esse era o retrato da educação em 2019. Agora, como era o acesso à internet de crianças e jovens? 

Educação e o acesso de crianças e jovens à internet em 2019

A pesquisa, Tecnologia de Informação e Comunicação ( TIC 2019) , sobre  educação, divulgado pelo CETIC (Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação),  aponta que somente 35% dos alunos entrevistados que estudaram  em escolas urbanas, possuíam um computador de mesa. Já para 34% desses alunos, não possuíam computador ou tablet em seus domicílios.

Segundo a pesquisa, na Região Norte e Nordeste, cerca de 26% dos alunos das escolas urbanas acessaram a internet exclusivamente pelo celular. No geral, nas escolas públicas, 21 % dos alunos usavam o celular para acessar à internet. Nas  escolas particulares, eram somente 3%.

O acesso à internet dos professores e escolas rurais

Em relação às escolas rurais, apenas 24% dos estudantes entrevistados tinham acesso à internet. Em comparação entre as regiões brasileiras, no Nordeste 13 % das escolas rurais possuíam acesso,enquanto na região Sul, eram 46%

Para os professores, as principais dificuldades para o usos de tecnologia em atividades pedagógicas, foram o  número insuficientes de computadores por aluno, 72%, seguido pelo número insuficientes de computadores conectados à internet, 68%. Equipamentos obsoletos ultrapassados representavam cerca de 65%

O público alvo dessa pesquisa foram turmas do 2º ou 9º ano do ensino fundamental ou 2º ano do ensino médio de escolas públicas e privadas localizadas nas áreas urbanas ou rurais, além de professores, coordenadores e diretores de escolas.

Os dados apresentados, mostram que o acesso à internet era bem desigual entre regiões e escolas públicas e privadas, urbanas e rurais. E com a pandemia, as escolas com essas condições tiveram que se adaptar rapidamente para que os alunos não ficassem sem estudar.

O Ensino Remoto Durante a Pandemia.

Antes da pandemia, como vimos , as escolas não estavam preparadas e nem todos os alunos tinham acesso à internet de qualidade. Para muitos,  o principal acesso era através do celular.

Com a pandemia, o isolamento social e as medidas restritivas, o ensino remoto se tornou uma solução para que a educação continuasse.

Porém essa mudança não foi planejada e foi implementada às pressas. A internet teve um papel importante para que os professores pudessem ensinar e evitar uma perda ainda maior no aprendizado.

Agora iremos avaliar como foi o ensino remoto em 2020 e  os desafios dos pais, alunos e professores.

Os desafios para os pais, alunos e professores na pandemia

De acordo o relatório  do Banco Mundial, sobre o Acesso às atividades escolares no Brasil durante a Pandemia com base na PNAD COVID-19 – julho a novembro de 2020, divulgado em maio de 2021, cerca de 3,3 milhões de crianças de 6 a 16 anos, não teve nenhum acesso à atividade escolar, embora estivessem matriculadas.

Esse número reflete as desigualdades sociais e regionais,na educação do país.

O acesso às atividades escolares é menor nas regiões Norte e Nordeste.De acordo com a renda, 75 % das crianças frequentavam durante a semana por 5 dias ou mais  as aulas ou atividades remotas em famílias abastadas e de alta renda. Em  famílias de baixa renda eram apenas 50%.

Nas áreas rurais, 24% das crianças não tinham acesso às atividades escolares, enquanto na área urbana era 8,9% em novembro de 2020

Já para as pessoas entrevistadas com 16 anos ou mais, 82 % dos usuários de internet acompanhavam as aulas remotas. E para 71% dos entrevistados, o acesso ao conteúdo era por meio de site, redes sociais ou aplicativos de videoconferência

As dificuldades do acesso ao ensino remoto

Para essas pessoas, as principais dificuldades com o ensino remoto foram: o esclarecimento das dúvidas com os professores (38%), a falta ou baixa qualidade de internet (36%) e a falta de estímulo para estudar (33%)

Umas das ações das Secretarias  Municipais de Educação para o acesso aos materiais didáticos pelos estudantes das famílias que vivem em situação vulnerável, foi a entrega de livros e apostilas.

 Na  região Norte, cerca de 37% dos entrevistados acessaram as atividades escolares por meio de materiais impressos.

De acordo com a pesquisa Undime  (União Nacional dos Dirigentes Municipais da Educação) com apoio do Itaú Social e Unicef , sobre Volta às aulas  2021, avaliou as estratégias usadas pelas Secretarias Municipais de Educação, e cerca de 95% das escolas municipais utilizaram o material impresso. O uso videoaulas online ao vivo correspondiam somente a 21% das escolas

Janaína Rocha, pedagoga, moradora do estado de Goiás: A escola do meu filho seguiu o cronograma e o material didático e eu estava em casa para auxiliá -lo.Porém, teve amigos do meu filho que não conseguiram acompanhar e saíram da escola.

Como as desigualdades sociais impactaram o ensino remoto

Se as aulas ao vivo e online não era uma realidade para todos alunos, os dispositivos para o  acesso às aulas remotas para pessoas de 16 ou mais eram bem desiguais, segundo o Painel TIC COVID -19 (Pesquisa sobre o uso da internet no Brasil durante a pandemia do novo coronavírus: Ensino Remoto e Teletrabalho), divulgado em novembro de 2020

Cerca de 45% dos alunos entrevistados das classe A e B acompanhavam as aulas remotas pelo notebook ou computador, enquanto os usuários da classe D e E eram 11% O principal equipamento utilizado foi o celular, cerca de 54%.

Trabalho e Renda

As desigualdades para o acesso ao ensino remoto são enormes e a renda foi um fator importante no acompanhamento das aulas ou atividades remotas.

Para os usuários de internet com 16 anos ou mais, os principais fatores para não acompanhar as aulas remotas foram a necessidade de buscar emprego 56% , cuidar de casa, filhos ou outros parentes 48% e não sentem motivação para estudar (45%)

Um dado interessante é que para 32% dos usuários, as escolas não ofereceram aulas ou atividades escolares. Percebemos que algumas escolas demoraram para adotar medidas pedagógicas para a continuidade do ensino durante a pandemia.

Essa pesquisa entrevistou 2728 pessoas e o público -alvo foram pessoas usuárias de internet com 16 anos ou mais de idade no Brasil.

Os dados apresentados nos mostram como os estudantes mais vulneráveis foram os mais prejudicados. Sem equipamentos, internet de qualidade e ainda terem de ajudar em casa para o sustento da família. Sendo que na pandemia, muitas pessoas perderam seus empregos e para gerar renda, o trabalho informal era uma das poucas opções para não passar fome. A educação não se tornou prioridade

E essa realidade reflete no desempenho da educação brasileira. Como a pandemia impactou a nossa educação? A educação foi prejudicada?

Os Impactos da Pandemia na Educação.

De acordo com a UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), com as escolas fechadas, muitas crianças e adolescentes ficaram vulneráves a diversas situações,  como o trabalho infantil e sem ter o que comer em casa. Logo que, para muitas crianças em situação vulnerável, a merenda escolar  era uma das principais refeições do dia.

Além disso, outro impacto da pandemia foi a socialização entre as crianças. De acordo com a pedagoga, Janaína Rocha, um fator negativo do ensino remoto foi a não socialização, necessária no momento da pandemia. Entretanto, a interação com os colegas e atividades em grupo é muito importante, para estimular o pensamento.

Leia Mais: Dia Nacional de Conscientização do Combate ao Desperdício de Alimentos

As perdas de aprendizagem na prova do SAEB

De acordo com estudo do Insper (Núcleo Ciência pela Gestão Educacional) em parceria com o Instituto Unibanco divulgado em junho de 2021, sobre as perdas de aprendizagem na pandemia, se os alunos do 2º ano do Ensino Médio não tivessem transitado do ensino presencial para o ensino remoto, a perda em português e matemática seria entre 9 e 10 pontos na escala do SAEB (Sistema  De  Avaliação da Educação Básica)

Só para exemplificar, se no ano de  2021 fosse adotado somente o ensino remoto, as perdas em português seriam de 16  pontos na escala do SAEB, quanto em matemática cerca de 20 pontos, para os alunos que estariam terminando o 3º ano do ensino médio.

Mesmo que o ensino remoto foi adotado a partir do segundo semestre de 2021, em novembro, para 14% dos alunos dos anos finais escolares, o ensino remoto ainda era realidade. Além disso, nos anos iniciais, 12,7% dos alunos estudavam de forma remota.

Da mesma forma, nas escolas rurais, nesse mesmo período, nos anos iniciais, cerca de 18% dos alunos estudaram de forma remota e nos anos finais 18,9% dos alunos.

Os impactos da pandemia na vida profissional dos jovens

No final de 2021, o ensino remoto era realidade para muitos estudantes. De acordo com o relatório do Insper, se o ensino híbrido não fosse adotado no 2º semestre de 2021, junto com medidas para recuperação do aprendizado, cada estudante que concluísse o ensino médio em 2021, teria uma perda de renda ao longo da sua vida entre R$ 20 mil e R$40 mil

Além disso, juntando os alunos do ensino fundamental e do ensino médio as perdas ao longo da vida são de 700 bilhões, podendo chegar a 1,5 trilhão caso o ensino remoto fosse adotado até o  final de 2021.

A pré – escola, muito importante no processo de alfabetização, cerca de 21,8% das crianças, continuavam  aprendendo de forma remota, nas escolas urbanas, enquanto na área rural 26,8% das crianças.

Assim como, na educação infantil e na educação fundamental, o envio de material impresso e as orientações por whatsapp eram as principais medidas pedagógicas adotadas no ensino remoto em 2021

A avaliação da educação brasileira depois da pandemia

Com a pandemia, os resultados da avaliação do PISA foram adiados. Esses resultados que seriam divulgados em 2021, foram adiados para esse ano. Por consequência, a edição de 2024, será realizada em 2025.

Já a avaliação do ( IDEB), um dos principais índices de educação básica,  divulgada esse ano, sobre o desempenho da educação brasileira em 2021, não apresentou grandes mudanças em comparação com o ano de 2019.:

Nos anos iniciais, a nota do Ideb era 5,9 pontos e foi para 5,8 pontos em 2021

Nos anos finais, a nota teve uma aumento de 4,9 em 2019, para 5,1 pontos 

E o ensino médio, a mesma nota de 2019: 4,2 pontos

Esses dados divulgados, podem não retratar a realidade da educação brasileira por dois fatores: O primeiro, muitas escolas, para não prejudicar os alunos que tiveram dificuldades com o ensino remoto, aprovaram os alunos automaticamente. 

E segundo, as aplicações  das provas do SAEB, cujo o IDEB baseia no resultado da avaliação, foram aplicadas em  novembro de 2021, quando muitas escolas estavam com sistema híbrido de ensino. 

Além disso, os dados do Relatório do Insper, mostram que  muitas escolas ainda adotavam o ensino remoto. Dessa forma, a participação dos alunos na  prova do SAEB foi menor e influênciou no resultado.

As perdas na aprendizagem

Conforme o estudo Educação em Pausa, divulgado esse ano pela UNICEF, em parceria com o Banco Mundial  e a  Unesco, as perdas de aprendizagem em todos os graus de ensino avaliados como matemática e leitura equivalem entre 4 a 15 anos de escolarização.

Esse estudo teve como base a evolução do resultado das provas do Saeb de 2019 a 2021. E a cidade avaliada foi São Paulo

Consequentemente, estudantes de São Paulo, que estudaram de forma remota, tiveram um retrocesso de cerca de 75% da aprendizagem presencial, nas disciplinas de português e matemática.

De fato, a educação brasileira se agravou bastante durante a  pandemia. Anteriormente, crianças e jovens não tinham acesso adequado  à internet e a educação não era tão bem avaliada nem no PISA, nem no IDEB. 

Portanto, com a pandemia, alunos, escolas e pais tiveram que se adaptar rapidamente. Assim, as desigualdades sociais, a perda de renda, a falta de acesso à internet, e a fome, tornou se  muito mais  difícil e desafiador para  os estudantes acessarem as aulas remotas com frequência.

Como podemos mudar essa realidade?

A fim de reverter esse cenário e diminuir essas desigualdades, professores, pais, estudantes e os governos devem se unir para debater e propor ações para diminuir as perdas no ensino.

Portanto,boas práticas podem ser adotadas para melhorar a educação como: A mesma qualidade de ensino em escolas rurais, urbanas, públicas ou privadas; valorização dos professores; melhoria ao acesso às tecnologias e adoção de metodologias de ensino que estimulem crianças e jovens a continuarem seus estudos. 

Enfim, a educação é a base para a construção de um mundo melhor e uma sociedade mais justa.

Escrito por: Adilson Junior.

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