Médico realizando o atendimento no paciente com câncer

Desigualdade e câncer no Brasil: a doença não espera!

Estudos do Instituto Nacional do Câncer (INCA) estimam que até 2025 serão registrados, no Brasil, 704 mil novos casos de câncer. Os dados são da publicação Estimativa 2023 – Incidência de câncer no Brasil.

O câncer, doença que acomete parcela da população mundial, caracteriza-se como um crescimento anormal das células do corpo. Em um desenvolvimento acelerado, estas células começam a se espalhar e atacar tecidos e órgãos. Entretanto, nem todo tumor irá necessariamente tornar-se um câncer. Afinal, há aqueles que são benignos e dificilmente irão desencadear grandes problemas.

Independente do seu tipo, quanto mais cedo o diagnóstico e o tratamento, maiores as chances de cura. Inclusive, conforme a legislação vigente, é direito do paciente com câncer iniciar o seu tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS) no prazo de 60 dias, contando a partir do diagnóstico. No entanto, a média, de acordo com o Ministério da Saúde, é de 81 dias.

Pesquisas mostram ainda que o grupo mais acometido por essa doença é o de pessoas negras e pobres, sendo maioria nas estatísticas de vítimas fatais. Mas será que o tratamento do câncer no Brasil é desigual em todas as regiões? Veja esta e outras respostas nesse artigo.

Câncer, uma das principais causas de morte no Brasil

De acordo com o Observatório de Oncologia, até 2003, o câncer era a segunda maior causa de morte no Brasil. Contudo, com a pandemia de covid-19, desceu para a terceira posição no ranking, ficando atrás de doenças do aparelho respiratório e doenças infecciosas e parasitárias.

Entretanto, segundo estudo descritivo baseado em dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (Data SUS) no ano de 2020, em 606 municípios, o câncer se tornou a principal causa de morte.

Um aumento de 90 municípios em comparação ao último levantamento de 2015.

Além disso, a maioria desses municípios concentram-se nas regiões Sul e Sudeste, que possuem um dos maiores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH).

Ainda segundo a Estimativa 2023, do INCA, a maioria dos novos casos de câncer se concentrará nas regiões Sul e Sudeste, entre os anos 2023 e 2025.

No entanto, será que as pessoas mais acometidas pelo câncer são somente de municípios desenvolvidos? Outro estudo aponta que não!

Levantamento

Médico apresentando os resultados dos exames para o paciente com câncer

A pesquisa visou analisar o impacto e as discrepâncias das variáveis socioeconômicas, assistenciais, de capacidade médica instalada e educacionais na incidência, mortalidade e letalidade por câncer nos 26 estados e Distrito Federal. Ficou evidente nas análises que regiões com alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) apresentam menos casos de óbitos de pacientes com diagnóstico de câncer. O levantamento é do Observatório de Oncologia do movimento Todos Juntos Contra o Câncer.

Em 2018, por exemplo, Brasília possuía um dos maiores IDH do país (0,824) e 28,5% de óbitos registrados de pacientes oncológicos. Já o Acre, um dos estados mais desiguais (IDH 0,63), apresentou a maior taxa de letalidade de câncer no Brasil, cerca de 54,3%, para o mesmo ano.

A pobreza e a miséria influenciam diretamente nesta triste estatística. No Maranhão, quase 40% da população convive com a pobreza. Em decorrência disso, o índice de letalidade por diagnóstico de câncer chega a 48,5%.

No estado de Santa Catarina, menos de 4% da população está na pobreza, e a letalidade pós-diagnóstico é de cerca de 28,3%.

Além disso, há outro fator de influência nesses dados: o plano de saúde. O acesso à rede privada não é uma realidade para todos os brasileiros e evidencia ainda mais a desigualdade social. No caso do Acre, que apresenta a maior taxa de óbitos do país, apenas 5,1% da população possuía um plano de saúde. O índice mais baixo do Brasil.

Segundo João Viola, pesquisador titular e coordenador substituto de pesquisa do INCA: “Somos um país com diferenças muito grandes entre centros já desenvolvidos, industrializados e outros subdesenvolvidos, com uma população muito carente. Temos que lidar com as duas situações”(Viola, 2019 apud Rede Câncer, 2019, p. 31).

O tratamento de Câncer pelo SUS

Médicos avaliando uma radiografia do paciente

O Sistema Único de Saúde (SUS) é um dos maiores do Mundo, e o acesso aos serviços de prevenção, diagnóstico e tratamento contra o câncer é estendido a toda a população. Além de ser totalmente gratuito.

Conforme o documento 30 anos de SUS, saúde no Brasil e evolução do tratamento do câncer, divulgado em 2018, pelo Observatório de Oncologia, o diagnóstico tardio ainda é um desafio.

Em 2016, 55% dos pacientes foram diagnosticados com câncer em estado avançado (III e IV). Enquanto isso, em países como o Reino Unido, a taxa era de 30%, nos anos de 2012 e 2013.

O documento apontou ainda que o tempo de espera para quimioterapia era de 85 dias e para radioterapia, 127 dias.

Centros especializados

O número de centros especializados, isto é, de Unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon) ou de Centros de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon) para o tratamento do Câncer pode ser um dos fatores para essa demora.

Em 2016, as unidades operantes já eram insuficientes e sua distribuição desigual. Poucos centros, para muitas pessoas.

Um levantamento do INCA divulgado em 2022, apurou que o Sistema Único de Saúde possui 317 unidades e centros de assistência habilitados no tratamento do câncer em todo o país.

Cada unidade atende em média 17 cidades. No Brasil, são 5.568 municípios. Além do número baixo de unidades, tivemos ainda uma pandemia.

A pandemia de covid-19 paralisou diversos tratamentos e atrasou diagnósticos, devido às restrições e medidas de isolamento social.

Estimativa do estudo da Americas Health Foundation, com o apoio da Roche, aponta que 284 mil brasileiros serão afetados por esse atraso. O câncer não espera!

Além disso, mais de 62 mil mortes poderiam ser evitadas!

Portanto, investimento de médio e longo prazo em políticas públicas de saúde é importante para o tratamento de qualidade e acessível para todos.

Conforme a epidemiologista Liz Almeida, chefe da Divisão de Pesquisa Populacional do INCA: “Quando se fala em inovação na área de saúde no Brasil, normalmente o gestor entende como desenvolvimento de medicamentos. Falta visão estratégica para compreender que dados de estudos podem ajudar o acesso ao diagnóstico rápido e tratamento, o que acaba por otimizar o orçamento da saúde em sua totalidade” (Almeida, 2019 apud Rede Câncer, 2019, p. 31)

Por fim, a epidemiologista, concorda que, para combater as desigualdades no acesso ao tratamento contra o câncer, deve-se priorizar o investimento em estudos sobre prevenção. “A indústria farmacêutica já investe na pesquisa de tratamento. Não há recursos para a prevenção, que é a parte mais custo-efetiva da cadeia do câncer”, afirma. (Almeida, 2019 apud Rede Câncer, 2019, p. 31)

Fontes:

Escrito por Adilson Junior

Revisado por Laize

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