Drogas e álcool

As drogas e o álcool estão entre os principais motivos para as pessoas morarem nas ruas, segundo a pesquisa

Nos últimos 10 anos, a população em situação de rua cresceu mais de 200%

O uso de drogas e álcool é um problema de saúde pública no Brasil. Mais de 3,3 milhões de pessoas no país são dependentes das drogas.

Nesse sentido, o Ministério da Saúde criou o Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Álcool. O objetivo da data é conscientizar os brasileiros sobre as consequências e os perigos do uso de drogas e ingestão de bebidas alcoólicas.

Por consequência, o consumo excessivo dessas substâncias pode gerar abstinência, ou seja, a pessoa se torna totalmente dependente e não consegue viver sem elas. Muitos acabam indo parar nas ruas. Isso mesmo! É o que a Pesquisa Nacional sobre a População em Situação de Rua no Brasil apresenta na sua primeira e única edição.

Dessa forma, neste artigo, você vai entender a situação de dependência das drogas no Brasil e como acometem os moradores de rua. O texto será estruturado da seguinte forma:

  • O uso de drogas e álcool no Brasil;
  • Álcool e drogas: moradores de rua;
  • Os efeitos do álcool e das drogas no corpo;
  • Tratamento;
  • Conclusão.

O uso de drogas e álcool no Brasil

Em primeiro lugar, precisamos definir o que são drogas e bebidas alcoólicas. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as drogas são substâncias em forma sintética ou natural que, ao serem utilizadas, podem causar certa dependência psicológica ou química, conforme a dose usada.

Elas são classificadas em drogas lícitas e ilícitas. As drogas lícitas são elementos psicoativos, cuja fabricação, venda e consumo não constituem crime. Por exemplo, podemos citar o álcool e o tabaco. Já as drogas ilícitas são elementos psicoativos, cujo processo de produção e consumo é considerado crime. Dentre elas, estão: maconha, cocaína, crack, êxtase, inalantes, entre outros.

O álcool que mencionamos anteriormente é utilizado na fabricação de diversos tipos de bebidas, como cerveja, vinho, uísques, cachaça etc. Embora vender não seja crime, há exceções, como a proibição de vender bebidas alcoólicas para menores de 18 anos.

Pesquisa sobre o uso de drogas no país

Como falamos no primeiro tópico, a venda de bebidas alcoólica é proibida para menores. Entretanto, o 3º levantamento nacional sobre o uso de drogas pela população brasileira mostra uma realidade um pouco diferente.

O relatório, divulgado em 2017, é resultado das parcerias entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Secretaria Nacional sobre Drogas (SENAD). A pesquisa foi realizada em 2015 e contou com a participação de mais de 16 mil pessoas, entre 12 e 65 anos, de todo país.

Consumo de álcool no Brasil

Conforme o relatório, a estimativa de pessoas que consumiram bebidas alcoólicas durante a vida corresponde a mais de 101 milhões, tendo elas entre 12 e 65 anos.

Em relação à faixa etária, cerca de 34,3% das pessoas entre 12 e 17 anos consumiram bebidas alcoólicas durante a vida. São 7 milhões de crianças e jovens. Nos últimos 30 dias, quando a pesquisa foi realizada em 2015, a porcentagem equivalia a 8,8%.

Outro dado alarmante é o consumo de álcool em binge, isto é, a ingestão de grandes quantidade de bebidas no pequeno intervalo de tempo. Em pessoas entre 12 e 17 anos, correspondeu a 5%.

O relatório também divulgou os dados sobre consumo de bebidas alcoólicas conforme o grau de instrução. Segundo a pesquisa, cerca de 76,5% das pessoas com ensino superior completo ou com pós-graduação consomem mais do que as pessoas sem instrução ou ensino fundamental incompleto, as quais o consumo gira em torno de 69,5%.

Nos últimos 12 meses, a partir da data da entrevista, a proporção diminui, embora pessoas graduadas ou pós-graduadas ainda consumiram mais do que as pessoas sem instrução, em torno de 56,4% a 36% respectivamente.

Quanto à idade do primeiro consumo de bebida alcoólica, dos brasileiros com idades entre 12 e 18 anos, a média de idade para o primeiro consumo foi de 13,5 anos. Das 101 milhões de pessoas que ingeriram bebida alcoólica alguma vez na vida, a mediana foi menor para homens (15,1 anos), do que para as mulheres (17,1 anos).

O consumo de Tabaco no Brasil

Esse levantamento é um dos estudos mais completo divulgado no Brasil, pois abrange a utilização não só do álcool e o tabaco, mas também de drogas ilícitas. Além disso, a pesquisa abrangeu municípios de todas as regiões brasileiras.

De acordo com o relatório, 26,4 milhões de brasileiros, entre 12 e 65 anos, consumiram tabaco nos últimos 12 meses. Só para ilustrar, muitos produtos utilizam o tabaco na composição, como: cigarro industrializado; cigarro de cravo ou Bali, de palha ou enrolado à mão; charuto; cigarrilha; cachimbo e narguilé; tabaco de mascar, aspirar ou rapé.

Nessa mesma faixa etária, estimou que cerca de 51,2 milhões de pessoas consumiram cigarro industrializado na vida. E, nos últimos 12 meses, foram mais de 23 milhões de pessoas.

Além disso, desse total, a maioria das pessoas que consumiram cigarro industrializado é homem, cerca de 28,8 milhões. As mulheres representam cerca de 22,4 milhões de pessoas.

Estimativa de consumo de cigarro por faixa etária, escolaridade e idade do primeiro consumo

A pesquisa demonstrou que cerca de 7 milhões de crianças e adolescentes já utilizaram bebida alcoólica pelo menos uma vez na vida. Nesse sentido, com o cigarro, os dados divulgados também são preocupantes.

Dessa forma, cerca de 1,3 milhões de adolescentes, entre 12 e 17 anos, já consumiram cigarros industrializados na vida. Em relação às outras faixas etárias pesquisadas, as pessoas que mais consumiram o cigarro ao longo da vida possuíam idades entre 45 e 65 anos.

Quando apresentamos o consumo de álcool por grau de escolaridade, vimos que as pessoas com ensino superior ou pós-graduação consumiam mais do que as pessoas sem instrução ou com ensino fundamental incompleto.

Entretanto, no consumo de cigarros industrializados, aconteceu o oposto. Mais de 20 milhões de brasileiros sem instrução ou com ensino fundamental incompleto consumiram cigarro durante a vida, enquanto cerca de 5 milhões possui o ensino superior completo ou pós-graduação.

Outra questão abordada é a idade do primeiro consumo. Entre as 51 milhões de pessoas que consumiram cigarro industrializado, pelo menos uma vez na vida, a idade mediana de início de consumo foi de 15,1 anos para homens e 14,9 anos para as mulheres.

Uso de substâncias ilícitas pelos brasileiros

Mais de 15 milhões de indivíduos afirmaram que já utilizaram alguma substância ilícita ao longo da vida. Desse valor total, a maioria são homens, totalizando 11 milhões. As mulheres representam cerca de 4 milhões de brasileiras.

Nos últimos 30 dias anteriores à pesquisa, acima de 2,5 milhões de homens utilizaram alguma substância ilícita, enquanto as mulheres, mais de 530 mil.

No que se refere à faixa etária, jovens e adultos entre 18 e 44 anos foram os que mais utilizaram substâncias ilícitas no decorrer da vida. No entanto, a estimativa de jovens entre 12 e 17 anos que já utilizaram em algum momento da vida correspondeu a 834 mil.

Entre as substâncias ilícitas mais utilizadas na vida, nos últimos 12 meses e nos 30 dias anteriores à entrevista, foram: maconha, haxixe, skank, cocaína, solventes, crack e similares

Estimativa quanto ao uso de mais de uma substância ilícita

Quanto a escolaridade, não há diferenças entre níveis de instrução. Contudo, pessoas com ensino médio completo e ensino superior incompleto, foram as que mais usaram durante avida, em torno de 5,1 milhões.

No que tange a mediana do primeiro consumo, a idade foi de 16,6 anos, tanto para homens como para as mulheres. Em contrapartida, entre jovens de 12 e 17 anos, a média de idade para o primeiro consumo foi menor, 13,1 anos.

Aliás, os dados que apresentamos foram quanto a utilização de uma droga apenas. Entretanto, o relatório também mensurou a estimativa de pessoas que utilizam mais de uma: álcool e tabaco (17,8 milhões); álcool e pelo menos uma substância ilícita (3,9 milhões).

Os brasileiros com menor grau de escolaridade foram os que mais consumiram substâncias ilícitas com o álcool ou o tabaco. Só que há exceções: pessoas com o ensino médio completo ou ensino superior incompleto foram as que mais usaram álcool, seja com alguma substância ilícita ou medicamento não prescrito.

Drogas e álcool: população de rua

Até aqui, vimos que as drogas acometem pessoas de todas as idades e classes sociais. Assim, o que começa com uma pequena dose, para muitas pessoas podem gerar dependência, ou seja, para o indivíduo, torna-se impossível viver cada dia sem beber ou fumar.

Conforme o relatório do levantamento nacional sobre a utilização de drogas pela população brasileira, cerca de 2,3 milhões de brasileiros, entre 12 e 65 anos, apresentaram dependência por álcool nos últimos 12 meses anteriores à pesquisa.

Nessa mesma faixa etária, 1,2 milhões de pessoas eram dependentes de alguma substância ilícita, entre as mais frequente: maconha, benzodiazepínicos e cocaína.

Nesse sentido, a dependência pode levar a decisões como morar nas ruas. Dentre os principais motivos para as pessoas morarem nas ruas estão as drogas e o álcool.

Conforme o Primeiro Censo e Pesquisa Nacional sobre a População de Rua realizada entre Agosto de 2007 e março de 2008 pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), os maiores motivos para as pessoas irem morar nas ruas são o uso de drogas ou o alcoolismo (35,5%). Em segundo lugar, a perda de emprego (29,8%) e, por fim, conflitos familiares (29,1%).

De acordo com o CREAS, há diferença entre pessoas em situação de rua e moradores de rua. As pessoas em situação de rua dormem embaixo de pontes, ruas, praças ou edifícios abandonados para pernoitar. Por outro lado, os moradores de rua possuem vários motivos ou fatores para decidirem viver nas ruas.

Número da população de rua no Brasil

Segundo uma pesquisa feita pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), divulgada ano passado, a estimativa da população em situação de rua é maior nos últimos 10 anos, em torno de 281 mil brasileiros. Um aumento de 211% em comparação com o ano de 2002.

A maioria da população concentra-se na região sudeste e também nas grandes metrópoles, como a cidade de São Paulo. O Observatório Brasileiro de Políticas Públicas aponta que a estimativa da população em situação de rua na capital de São Paulo corresponde a mais de 42 mil pessoas.

Além disso, o Mapa da Desigualdade da cidade de São Paulo, também divulgado em 2022, aponta que grande parte da população de rua está na região central, onde também está localizada a “Cracolândia”.

A “Cracolândia” é uma região onde acontece a venda e o consumo de drogas, como o crack, entre outras. É um problema antigo em São Paulo. Ao longo dos anos, a “Cracolândia” mudou de localização, aumentando a sua atuação. Entretanto, houve poucos avanços em solucionar esse problema.

De acordo com a pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), 56,8% dos dependentes afirmaram que vivem ou dorme no local, na maioria das vezes. Do total de respondentes, 8,3% falaram que já viviam em situação de rua antes de frequentar a “Cracolândia”.

Quais são os efeitos do álcool, cigarro e drogas ilícitas no corpo?

No início do artigo, falamos que o alcoolismo e o uso de drogas são grandes problemas de saúde. Mostramos as estatísticas, e os números não são nada animadores. A cada ano, aumenta o número de pessoas dependentes

No entanto, a dependência e o consumo excessivo podem acarretar diversas consequências ao corpo humano. Segundo a Associação Paulistana para o Desenvolvimento da Medicina, podem prejudicar vários órgãos, como:

  • Sistema Nervoso Central: pode causar problemas de atenção, sonolência, perda de reflexo, perda de memória, podendo levar até a morte;
  • Coração: aumento da frequência dos batimentos cardíacos;
  • Fígado: devido ao ritmo do álcool consumido, pode alterar a produção de enzimas. Por consequência, pode levar à cirrose, à inflamação grave e até à hepatite alcoólica;
  • Estômago: irritação das mucosas do estômago e do esôfago, acarretando diarreia, gastrite e esofagite;
  • Rins: comprometimento do sistema de filtragem pelo efeito diurético do álcool.

Os efeitos do cigarro e das drogas ilícitas

O cigarro é um dos produtos que contém tabaco mais consumido no Brasil, um dos principais causadores do câncer de pulmão. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de pulmão é o terceiro tipo de câncer mais comum em homens e o quarto mais comum nas mulheres.

Além do câncer de pulmão, o cigarro pode ocasionar diversos efeitos tóxicos. Conforme o Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas, os efeitos são: pneumonia, problemas coronarianos, aumento da pressão arterial e frequência cardíaca e desenvolvimento de câncer em regiões por onde a fumaça percorre, como garganta, língua, laringe, faringe e o esôfago.

Da mesma forma, as drogas como crack, cocaína, êxtase, entre outras drogas ilícitas, podem proporcionar efeitos, como as sensações de euforia e de agitação ao consumir, bem como desespero, ansiedade ou estresse quando não pode consumir. Além disso, elas podem causar diversos sintomas, como: aumento de batimentos cardíacos, perda de apetite, tremores, falta de sono, aumento da pressão arterial, desenvolvimento de doenças mentais e até câncer.

Tratamento

Neste artigo, mostramos o número de brasileiros dependentes das drogas e os seus efeitos devastadores. Entretanto, é possível se tratar, basta procurar ajuda. No entanto, são poucas pessoas que buscam o tratamento.

De acordo com 3ª Levantamento Nacional sobre o consumo de drogas pela população brasileira, em 2015, quando foi realizada a pesquisa, estimou-se que 1,6 milhões de pessoas entre 12 e 65 anos buscaram tratamento ao longo a vida. Esse número corresponde a apenas 1,4% dos indivíduos que reportaram usar álcool, tabaco ou alguma outra substância durante a vida.

Desse total, dois pontos que merecem atenção: em primeiro lugar, dos brasileiros que buscaram tratamento, cerca de 64% eram homens, e as mulheres representavam menos de 30%.

Em segundo lugar, os indivíduos sem instrução, fundamental completo e incompleto e ensino médio incompleto representam por volta de 60% das pessoas que procuraram tratamento ao longo da vida. As pessoas com superior completo ou pós-graduação correspondem a 10,5%.

A pesquisa apontou que as substâncias que as pessoas mais buscaram por tratamento foram as bebidas alcoólicas e o tabaco. Das drogas ilícitas, a cocaína em pó foi a substância que os indivíduos procuraram se tratar. Em relação aos estabelecimentos que oferecem o tratamento, as internações em comunidades, fazendas terapêuticas, unidades de acolhimento, albergue e casa viva foram os mais procurados.

Conclusão

Em síntese, precisa haver maior esforço por parte do poder público, tanto na esfera municipal, quanto estadual e federal, porque, segundo o levantamento, foram nos grandes centros, como as capitais e grandes cidades, onde as pessoas mais procuram tratamento contra as drogas. Por consequência, é onde se concentra grande parte de estabelecimentos, como as clínicas, fazendas comunitárias, albergues, entre outros.

Por isso, é necessário elaborar pesquisas para que se possa ter dados recentes e atualizados que ajudem a conhecer a população brasileira e possam servir de base para a tomada de ações. Políticas públicas mais abrangentes e amplas para que o tratamento não fique somente nos grandes centros.

Por outro lado, o enrijecimento das leis de proibição de venda de bebidas alcoólicas para menores e também maior controle e fiscalização das fronteiras no combate ao tráfico de drogas são fundamentais para podermos reverter a situação.

E, por fim, olhar mais para a população em situação de rua, tão esquecida e negligenciada, que constantemente grita por socorro e não é ouvida. A última pesquisa realizada sobre os moradores de rua foi em 2008. Mais de 14 anos se passaram, pouco os conhecemos. Como vimos, muitos estão passando por dificuldades, necessitando de ajuda. Não podemos ficar de braços cruzados. Precisamos mudar essa realidade.

Escrito por Adilson Junior

Revisado por Jéssica Duarte

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